Tendências Outono | Inverno 18/19

Falar de tendências de moda é sempre um pouco desconfortável. O próprio termo parece anular a criatividade pessoal na criação do nosso próprio estilo, daí que, se por um lado algumas pessoas afirmem que se recusam a segui-las, outras fazem-no de forma pouco criteriosa, demasiado literal.

Todos somos passageiros de uma época e, como tal, as tendências de moda (como quaisquer outras tendências artísticas), indicam-nos movimentos políticos, ideológicos e criativos. São vagas, das quais podemos retirar o que quisermos, nos seja relevante e nos faça mais felizes. Na minha opinião, a moda é isso, e cabe-nos a nós interpretar, reler e até transgredi-la.

Quando as Vânias me desafiaram a escrever sobre tendências, a minha primeira reação foi imediatamente debruçar-me sobre as minhas preferidas, as que vou usar este Inverno e as que encaixam no meu estilo de vida, personalidade e guarda-roupa. Então, esperando que este seja para todas o início de um Inverno muito divertido, aqui vão elas:

1. Armário da Avó

Sempre adorei explorar o armário das minhas avós e descobrir padrões, cortes e silhuetas de outras épocas. O Inverno passado, herdei alguns sapatos, carteiras e blusas da avó de uma amiga. Este ano, já peguei em algumas peças que eram da minha bisavó.

Nunca o retro foi tão atual e este é o momento para pegar nestas peças e dar-lhes uma releitura contemporânea, misturar com tudo o que já usamos e criar looks cheios de histórias para contar. O segredo está em adaptá-las ao nosso tempo e estilo.

Mangas femininas, misturas de padrões e acessórios retro irão inspirar looks em registo maximalista. Feminilidade, revivalismo e sustentabilidade serão palavras de ordem. É Inverno. Desarrumam-se os armários das avós.

Roteiro Lojas Vintage no Porto

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Desfiles Outono/Inverno 2018

Agnona: https://www.youtube.com/watch?v=MP6J-66BwtE

Dries van Noten: https://www.youtube.com/watch?v=xJZklS5tPrE

Massimo Dutti: https://www.youtube.com/watch?v=qs35Hq8_IaY&t=21s

Rochas: https://www.youtube.com/watch?v=K_S7Z_U_C2k

2. Escandinávia

Há algum tempo que o Scandi Style surgiu como alternativa ao império do minimalismo, num registo cozy chic feito de design, conforto e qualidade.

Depois de alguns anos sob o lema “menos é mais”, o streetstyle começou a povoar-se destes seres coloridos, peritas em misturar cores e padrões e, sobretudo, experts da arte de sobrepor camadas. Aqui, o layering não é uma tendência ou gesto de moda, mas uma necessidade, devido às baixas temperaturas. Adoro esta tendência porque é bastante descomprometida e convida-nos a brincar com a roupa, em oposição a um look muito mental.

Não é que o minimalismo não faça todo o sentido para mim, mas, como sou completamente fã de roupa de Inverno, acho fantástica a forma como as escandinavas são capazes de usar as roupas mais quentes da forma mais alegre, renegando o preto total. Ganni e Saks Potts são as marcas escandinavas que mais terreno têm ganho nos mercados internacionais.

 

Marcas escandinavas a conhecer

https://www.harpersbazaar.com/uk/fashion/what-to-wear/news/g33319/the-scandinavian-brands-to-know/?slide=14

Os melhores looks de streetstyle da Fashion Week de Copenhaga

https://www.harpersbazaar.com/uk/fashion/street-style/g22684679/the-best-street-style-from-copenhagen-fashion-week/

3. Quadrados

Nunca fui muito fã de quadrados, sempre senti que não condiziam comigo. Nos últimos tempos, apaixonei-me por uma fazenda que era tão macia que resolvi fazer um fato à medida, e acabei por mudar um bocado de opinião. Acho que um fato aos quadrados transmite uma atitude forte e irreverente, e a história universal atesta este padrão como bandeira de rebeldia e inconformismo.

Usado desde sempre por samurais, egípcios e escoceses, o tartan é um fenómeno cultural que atravessou muitas eras e culturas. Este Inverno ressurge associado à alfaiataria, em looks versáteis e sofisticados. Mainstream no século XV, símbolo de rebelião no século XVIII e até proibido durante a revolução Jacobita, hoje os quadrados são statement de elegância e irreverência.

Ideias de looks totais aos quadrados

https://www.vogue.com/slideshow/how-to-wear-head-to-toe-plaid-in-style

4. Animal Print

Quando Jenna Lyons, fundadora da marca J. Crew, afirmou numa entrevista que, para ela, o padrão de leopardo é neutro, a frase ficou escrita em pedra. Statement de sustentabilidade e responsabilidade contra a crueldade animal, acompanha também a atual onda revivalista, em que padrões arrojados já não são só usados em detalhes, mas destemidamente em looks totais e conjugações improváveis.

Apenas um conselho relativamente a esta tendência: como vai ser uma das mais predominantes, também será a mais cansativa. Por isso, atenção à qualidade dos materiais e design das peças, caso contrário, mais vale passar ao lado.

Ideias para usar animal print

https://www.vogue.co.uk/gallery/animal-print

5. Pêlo Sintético

Quando criei a Embrace Inc. em 2015, muitas foram as pessoas que acharam estranho eu criar uma marca só de casacos de pêlo, ainda por cima sintéticos (ou falso – detesto esta palavra!). Outras diziam que as pessoas não iam pagar a partir de um determinado preço se o pêlo não fosse verdadeiro (leia-se, de animal). Eu continuei. Sabia que havia pêlos sintéticos lindíssimos, que este material tinha uma versatilidade incrível para fazer composições arrojadas e que, na minha opinião, tinha um ar muito mais trendy do que o pêlo animal. Continuei, sempre à procura dos melhores materiais, de fornecedores europeus, de pêlos bonitos, com um ar luxuoso mas também divertido. Continuo a adorar criar com pêlo  sintético e, apesar de a Embrace Inc. atualmente produzir todo o tipo de vestuário, os casaquinhos vão ser sempre o meu amor.

Recentemente, marcas como Versace, Michael Kors e Burberry pararam de usar pêlo verdadeiro nas suas coleções, juntando-se, assim, à já considerável fileira de nomes da moda internacional como Calvin Klein, Vivienne Westwood, Tommy Hilfiger e Stella McCartney, que tinham dito não à crueldade contra os animais. Mas a verdadeira pedrada no charco aconteceu no último Inverno, quando o diretor da Gucci Alessandro Michele declarou solenemente que o pêlo animal já não era moda. O pêlo sintético de alta qualidade ganhou ainda mais peso no mercado de luxo quando, recentemente, o British Fashion Council baniu da London Fashion Week toda e qualquer peça confecionada em pêlo animal, provando que é possível uma estética de luxo sem crueldade.

Mais sobre as grandes marcas internacionais que não usam pêlo animal https://people.com/style/fur-free-luxury-fashion-brands/

 

Queria terminar agradecendo às Vânias por este convite e desafio, ressalvando apenas que não é minha intenção dizer a ninguém como vestir-se. Vejo estas tendências como mera inspiração, e aliás deixei de fora muitas outras, ou porque não vou usá-las (por exemplo o estilo western, que não tem nada a ver comigo), ou porque não achei tão relevantes. A moral da história é: todos os dias são uma oportunidade para nos divertirmos com a roupa, com a certeza de que a nossa imagem está constantemente a comunicar aos outros os nossos estados de espírito, estilo de vida e personalidade. Fiquem por esse lado!

 

Cândida Pinto (Designer de Moda e criadora da Embrace Inc.)

EMBRACE INC.

Casacos de pêlo não animal

Vestuário por medida

 

Atendimento por marcação privada no atelier

Rua dos Capelistas 59, Alameda Shopping, Showroom 4

Embrace.incorporated@gmail.com

https://www.facebook.com/embrace.inc/

https://www.instagram.com/embrace_inc/

 

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